Dia internacional das pessoas com deficiência: inclusão e acessibilidade são fundamentais

Por APCEF/MG
Arquivo, Esporte, Institucional
3 de dezembro de 2020

Provavelmente você conhece alguma pessoa com deficiência. Segundo a ONU
(Organização das Nações Unidas), “pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interações com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas”. Segundo dados do Censo de 2010, 23,9% dos brasileiros declaram ter alguma deficiência, porcentagem equivalente a mais de 45 milhões de pessoas, ou seja, 1/4 da população do país. No mundo os números são ainda mais expressivos: 1 bilhão de pessoas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O número corresponde a mais que a soma das populações de Brasil, Estados Unidos, Rússia, Japão, Canadá e França. Em suma, podemos considerar que essa seja a maior minoria do mundo.

Espera-se que diante de números grandiosos, vivamos em uma sociedade com acessibilidade e infraestrutura que facilitam a vida de todas as pessoas com deficiência, certo? Nem sempre é assim. Nos últimos anos houveram grandes melhorias, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido até chegarmos a um cenário ideal.

A funcionária aposentada da Caixa e sócia da APCEF/MG, Adriana Leticia, é tetraplégica e conta que já passou por situações difíceis e enfrentou muitos problemas. Ela disse que seus pais tiveram dificuldade de encontrar escola e muitas até a recusavam. “Na faculdade também não foi fácil. Eu precisava contar com ajuda de amigos para subir e descer as escadas”, conta. Quando entrou para a Caixa, Adriana relata que também faltava acessibilidade. “Trabalhava no terceiro andar e para almoçar precisava da ajuda de um estagiário, pois era preciso sair do prédio e dar a volta passando pela rua”, explica. Na avaliação dela, os últimos 15 anos foram de muito avanço, principalmente em questões como o preconceito, mas o ir e vir ainda é bem complicado. “Uma coisa que não consigo é andar de ônibus, principalmente com essa mudança de não ter trocador nos veículos. Andar a pé eu acho extremamente complicado com passeios fininhos, poste e lata de lixo no meio. Isso obriga a andar na rua, correndo risco de ser atropelada pelos carros”, enfatiza.

A acessibilidade é de grande importância na vida das pessoas com deficiência e a falta dela faz com que atividades simples para a maioria se tornem difíceis. Até mesmo em locais que recebem competições de atletas paralímpicos, falta estrutura em algumas ocasiões. Daniel Rodrigues é atleta profissional de tênis em cadeira de rodas, sendo atual número 1 do ranking nacional e 11º do ranking mundial. O atleta contou que já passou por algumas situações desconfortáveis. “Já joguei em torneios em que as quadras de treino não tinham acessibilidade e as quadras de jogos tinham. Ou tinha uma escada ou era um lugar que para cadeirante era quase impossível de ir”, relata. Nos últimos anos, Daniel vem utilizando as estruturas das quadras de tênis da Sede Social BH da APCEF/MG, cedidas para seus treinos.

A arquiteta e especialista em acessibilidade, Flávia Pinheiro, ressalta a relevância das medidas. “A promoção da acessibilidade é de fundamental importância para as pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida, porque garante o direito de ir e vir com autonomia e segurança, promovendo consequentemente maior integração dessas pessoas na sociedade”, explica. Flávia acredita que as medidas que vem sendo tomadas não são suficientes. Segundo ela, existe um grande desconhecimento das normas por parte dos profissionais e falta de consciência da maioria das pessoas quem não se colocam no lugar do outro. “Um dos maiores desafios é convencer as pessoas que não tem deficiência de que a promoção da acessibilidade melhora as condições de acesso e de utilização dos ambientes por todos”, ressalta.

A falta de acessibilidade gera exclusão, e é preciso que autoridades e a sociedade olhem para essa causa de forma empática, pensando em soluções para inclusão de todos. Esperamos que que daqui um ano, nesta mesma data, Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, possamos olhar para trás e observar o quanto avançamos nesta causa de tanta importância.

Departamento de Comunicação APCEF/MG

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